Bem Vindo - Willkommen - Welcome - Bienvenido

Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Ulpiano, Digesta 1.1.10.1;

Institutiones 1.1.3

São estes os preceitos do Direito: viver honestamente, não lesar o próximo, dar a cada um o que é seu.

Bem vindo ao meu Blog.
Neste mundo cada vez mais apertado de lugares e de idéias, acredito poder ser este um espaço para desabafos.
Espero ter a perseverança necessária para mantê-lo, e oferecer aos que o descobrem, incentivo para participar.
Sendo assim, sejam todos, mais uma vez, Bem Vindos!

A tempo: Se você é um chato, pouco bafejado pela natureza com Q.I., fanático por futebol, por Religião ou por qualquer outro tipo de limitação mental, acredito que este endereço não lhe seja muito simpático...

domingo, 21 de novembro de 2010

TARDE MORNA

Tarde morna de um domingo qualquer. Tarde de dezembro em Recife. Modorrenta.Quente.Abafada.
A falta de coragem para imprimir movimento ao corpo por conta do calor, ajuda a apenas embalar a alma lendo um poeta daqui, o nosso Augusto dos Anjos.
Apesar da sua perspectiva funérea de ver a vida, produziu pérolas que superam o escárnio e fazem da horripilante transformação da morte, da consciencia humana da sua fugaz importância, uma obra admirável.
Alguns poemas, só sendo Recifense, ou vivendo nesta secular cidade, podem ser entendidos - e, melhor: sentidos.
Quando ele abre o poema "Cismas do Destino", descreve a ponte Buarque de Macedo e o caminho da casa do Agra - famosa Casa Agra, funerária antiga e ainda existente.
O caminho, tomado pela Rua da Imperatriz até a Casa Agra, Praça Maciel Pinheiro, Rua da Conceição e arredores - só valoriza quem conhece.
Esta cidade, mesmo sob a perspectiva Augustiniana, continua a ser linda.
Aqui vai um pedacinho da poesia, para os que quiserem ler ou reler...





AS CISMAS DO DESTINO 

Recife, Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia...
O calçamento Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio alvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
 E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos vícios Animais.
Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!

E, por aí vai.......

Boa semana a todos

2 comentários:

  1. Li o que escreveu e deu-me saudade... Tanta saudade que acho até que "um urubu pousou na minha sorte". Olho os roteiros de meu destino e vejo que findei queimando pontes atrás de mim e, às vezes,à frente também.

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  2. Li e realmente fiquei com saudade.
    Às vezes sinto que "um urubu pousou na minha sorte" o nos caminhos do destino meu roteiro findou queimando algumas pontes atrás de mim e, outras à frente.

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