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Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Ulpiano, Digesta 1.1.10.1;

Institutiones 1.1.3

São estes os preceitos do Direito: viver honestamente, não lesar o próximo, dar a cada um o que é seu.

Bem vindo ao meu Blog.
Neste mundo cada vez mais apertado de lugares e de idéias, acredito poder ser este um espaço para desabafos.
Espero ter a perseverança necessária para mantê-lo, e oferecer aos que o descobrem, incentivo para participar.
Sendo assim, sejam todos, mais uma vez, Bem Vindos!

A tempo: Se você é um chato, pouco bafejado pela natureza com Q.I., fanático por futebol, por Religião ou por qualquer outro tipo de limitação mental, acredito que este endereço não lhe seja muito simpático...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O RETORNO DO MAL ASSOMBRO....

ELEIÇÕES 2014!

Depois da ultima eleição presidencial, onde o povo mandou para Brasília a ex-guerrilheira e assaltante de bancos, que depois passou a ser conhecida como a famigerada DILMANTA, A PRESIDANTA, a decepção foi tanta que....simplesmente deixei de lado o blog e a vontade de escrever.

Passaram-se quatro malfadados anos.

Nestes anos desastrosos, assistimos a corrupção correr à solta no país. Escândalo após escândalo trouxeram à tona o mais malsinado lixo que um república de bananas pôde produzir - ao final, e bem próximo das novas eleições, estourando como um ovo podere o escândalo da Petrobrás.

Também neste ínterim, foi covardemente assassinado o ex governador de Pernambuco, Eduardo Campos - provavelmente pelos mesmos celerados com os quais privou de cama e mesa durante nove anos, mas que desde novembro do ano passado considerou como oposicionistas.

A quadrilha do pt muito se assemelha aos clãs mafiosos, onde apenas se pode entrar. Sair, jamais! pelo menos, não vivo!

Domingo, 05 de outubro de 2014, novas eleições. As perspectivas de mudança, são poucas. Estamos entre a cruz e a caldeirinha - tendo em vista que o Aécio poucas chances tem de entornar o caldo dos petistas.

Sobra a ex-piniqueira, política melancia (ver por fora, vermelha por dentro), que com o seu jeitão de integrante do mst disputa com a cascavel presidanta a cadeira de chefe deste políticamente amaldiçoado país.

Peço a Deus que me dê uma lição mostrando que eu estou errado em apontar novo desastre político institucional, e que demonstre que o país se recuperará dos gafanhotos que o vilipendiaram nos ultimos anos de entrega as hordas petistas.

Serão tempos difíceis e instáveis, os próximos anos.

Quem viver, verá!

RETOMANDO COM AS LEMBRANÇAS DE GARANHUNS...

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AS BOLAS DE FOGO!

A minha Garanhuns dos anos 60, era uma maravilha. Pequena mas aconchegante. Todos se conheciam, e não havia a menor possibilidade de se sair de casa sem cruzar com um conhecido, de trocar um cumprimento, de se parar para dois dedos de prosa.
Nesta época, meu avô, o seu Vitalino, ficava diariamente parado envolto no seu capote, de chapéu, encostado na janela do casarão de número 71 da Avenida Santo Antonio, como a que vigiar a cidade.
Lá permanecia desde a metade da tarde, ao bater das seis horas, quando descia para a sua casa e ia tomar o seu chá ou leite quente – pois morreu aos 96 anos sem jamais haver tomado um só gole de café!
Neste horário, lá pelas seis horas da tarde, principalmente no mês de maio, já saia a minha tia Mariquinha da casa de vovô, de mantilha na mão bem como de missal, para ir religiosamente assistir as novenas do mês de maio.
Como toda cidade pequena, neste mês romanticamente apelidado de “mês da noivas”, a cidade se transformava.
Todas as noites, espoucavam fogos! Pouco depois das seis, passava, garbosa, a Banda de Música da Prefeitura – verdadeira “furiosa” – a tocar todas as noites as mesmas batidas marchinhas.
Lá iam eles! Orgulhosos, com a molecada correndo do lado e apanhando os restos dos foguetes que caiam ao derredor.
Os sinos da catedral de Santo Antonio, acompanhavam a festa.
Batiam sem cessar, no seu blem-blem animado, vigoroso, puxados que eram pelo sacristão lá no primeiro andar do coro da Igreja, através de duas cordas de cânhamo que pendiam através de dois buracos no forro de madeira.
Pouco depois da chegada da Banda Municipal à porta da Igreja, iniciavam os sacerdotes o seu ofício.
Durante este, o coral da Igreja cantava destoado as mesmas velhas músicas, ano após ano, tais como “queremos Deus, que é o nosso Rei, queremos Deus que é nosso pai...” destacando-se sempre a voz de dona Joaninha, uma senhora magrinha, verdadeiro “cibito”, dona de uma voz de soprano extremamente alta, que se destacava imensamente das suas companheira, indo reboar lá no fim da praça da Igreja.
Até meu pai, mouco, comentava: “eita que hoje Joaninha está danada...”.
Assistir a estas celebrações era por vezes, divertido.
Padre Tarcísio – de todos os celebrantes, o menos paciente – se pegava uma das comadres conversando, não tinha a menor cerimônia de lá de onde estava, de dar-lhes um esporro.
Se quisessem conversar, que saíssem da Igreja!
De outra feita, numa dessas ocasiões, conta a lenda que ele perdeu as estribeiras. Um dia, entre uma tosse fina e outra (tosse esta que o acompanhava há anos) conseguiram irritar tanto o Padre que este berrou lá de cima do altar: “querem me fazer de besta? Porque é que acham que estou usando esta merda preta? É por causa da e.... da minha mãe” – pois diziam que o seu sacerdócio era fruto de uma promessa que a sua mãe fizera, e não escolha do próprio.
Como menino, de vez enquanto assistia a episódios que ainda hoje não posso descrever, que dava alguma credibilidade as lendas da minha Garanhuns. As empregada da minha casa que o digam...
Bom, mas voltemos ao que interessa. O mês de maio e as Bolas de Fogo!
Mas, que diabos tem maio com bolas de fogo?
Garanhuns destes tempos, no inverno, era prolífica em duas coisas alem do frio: pulgas e ratos!
Indo-se a qualquer dos cinemas da cidade, voltava-se à casa com uma coleção de pulgas que não tinha tamanho.
Era cada pulga bem criada, que dava gosto. Catar pulgas nos cobertores e coloca-los no sol tão logo este aparecia no inverno, era mandatório! Se não se procedesse assim, corria-se o risco de ser “bebido” vivo pelas danadas das pulgas!
E os ratos. Ah. Estes variavam de generosas catitas a monstruosos guabirus que habitavam o quintal e o socavão do casarão da Santo Antonio.

Era uma luta árdua e diária contra estes bichos, próprios de uma casa antiga, que diziam ter sido propriedade de Simoa Gomes, fundadora da cidade.
Minha mãe, coitada, empenhava-se nesta luta diária duplamente motivada. A uma, pelo fato higiene. Manter um casarão daqueles limpo, era uma tarefa árdua.
A duas, pelo medo. Tinha verdadeiro horror a ratos. Não podia vê-los sem tremer.
Assim, diligentemente comprava a cada final de semana, na feira do centro da cidade aos sábados, uma profusão de ratoeiras e de gaiolas pra pegar ratos.
Armava-as com cuidado, sempre com um bom pedaço de sebo ou de queijo, e, pela manhã, ia com as suas secretárias do lar dar uma volta nos cantos do casarão para ver o rendimento da noite.
Os ratos e guabirus pegos nas ratoeiras, já estavam mortos e iam direto prum buraco cavado pelo meu avô.
Os pegos nas gaiolas recebiam demorado banho de água quente, transportando-os desta para melhor...
Aí entrou a idéia de menino. Já que os ratos pegos na gaiola iam morrer mesmo, porque não fazer um pouco diferente? Vamos fazer uma experiência!
Acordando mais cedo que o costume, corri a buscar uma das gaiolas pega ratos da minha mãe, e escondi a danada num dos recônditos do imenso casarão. Lugar para esconder é que não faltava!
O segundo passo da trela, era de recolher um litro de gasolina do carro do meu pai, um Mercury 57 do qual ele morria de ciúmes.
Conseguidos os dois passos, restava apenas aguardar o final de tarde, para melhor apreciar o mês de maio.
De repente, lá vem a “furiosa” da Prefeitura tocando as suas marchinhas. Os sinos iniciaram a tocar, e o foguetório começara.
Minha tia Mariquinha, junto com as suas colegas beatas, acorreram a Igreja, e forma rezar. O dia ainda estava claro.
Rezaram por cerca de uma hora, e, com novo foguetório e marchas da Banda de Música, desceram as senhoras beatas os degraus da Catedral de Santo Antonio, enlevadas pelas rezas, em verdadeiro estado de graça.
Me preparei num desvão da esquina que descia pro Pau Pombo.
Numa das mãos, a gaiola com uns seis guabirus bem criados. Na outra mão, o litro furtado de gasolina, e uma caixa de fósforos.
Colocada a gaiola no chão, cuidei de banhar os guabirus na gasolina com o maior zelo! Os bichos se agitaram.
Não gostaram muito daquele banho mal cheiroso de gasolina, e puseram-se a pular feito doidos dentro da gaiola, como que prevendo um desastre.
Em seguida, risco um fósforo, acendo os guabirus e abro a porta!
Coisa mais linda! Bolas de Fogo em plena avenida, homenageavam o mês de maio!
As bolas, corriam como raios! Mas....desastre! correram pro lugar errado.Ao invés de descerem a rua do Pau Pombo abaixo, resolveram correr Santo Antonio acima, via degraus da Catedral justamente por onde desciam as beatas em estado de graça!
Os guabirus, desrespeitosos e pegando fogo, subiram pelas pernas de algumas, reduzindo as suas meias de nylon a....nada!
Outros guabirus mais afoitos, subiram na carreira escalando as paredes, a lateral da Livraria São José, indo parar pegando fogo, no seu telhado.
A “furiosa” deixou de tocar, o fogueteiro deu uma carreira q eu dava gosto de ver. O povo, corria e gritava, e umas duas beatas desmaiaram.
Minha tia tinha tido o azar de ter um “guabiru flamejante” nas pernas, e ter as suas preciosas meias reduzidas a um material grudento nas pernas finas.
Foi um Deus nos acuda!
Do meu canto escondido, dava as minhas risadas, até que alguém me vendo apontou o dedo e disse: “lá está o filho de Valderedo – ele deve ter feito esta merda toda!”.
Acabou a graça. Corri pra me esconder, mas já era tarde.
Algumas vítimas das lindas Bolas de Fogo se refugiaram lá em casa, e logo a noticia do culpado pela trela se espalhou.
Indignado, meu pai ao mesmo tempo em que perguntava se eu esta doido, se desvelou em me fazer dormir de “couro quente”,
Assim, esta é uma das lembranças que tenho do mês de maio na minha Garanhuns de décadas atrás.
A trela podia ser grande, mas não faltava imaginação à meninada de uma modorrenta cidade do interior pra quebrar a rotina...