Bem Vindo - Willkommen - Welcome - Bienvenido

Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Ulpiano, Digesta 1.1.10.1;

Institutiones 1.1.3

São estes os preceitos do Direito: viver honestamente, não lesar o próximo, dar a cada um o que é seu.

Bem vindo ao meu Blog.
Neste mundo cada vez mais apertado de lugares e de idéias, acredito poder ser este um espaço para desabafos.
Espero ter a perseverança necessária para mantê-lo, e oferecer aos que o descobrem, incentivo para participar.
Sendo assim, sejam todos, mais uma vez, Bem Vindos!

A tempo: Se você é um chato, pouco bafejado pela natureza com Q.I., fanático por futebol, por Religião ou por qualquer outro tipo de limitação mental, acredito que este endereço não lhe seja muito simpático...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

O BRASIL E A BOMBA ATÔMICA


O Brasil está já "acostumado" a traições. Ao longo da sua história, exemplos são acumulados.

Uma das maiores, foi a assinatura do DECRETO que copio para vocês e se inicia como se segue: "DECRETO No 2.864, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1998.

Promulga o Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares, assinado em Londres, Moscou e Washington, em 1º de julho de 1968.

        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição,

        Considerando que o Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares foi assinado em Londres, Moscou e Washington, em 1º de julho de 1968;

        Considerando que o ato multilateral em epígrafe foi oportunamente aprovado por meio do Decreto Legislativo nº 65, de 2 de julho de 1998;

        Considerando que o Tratado sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares entrou em vigor internacional em 5 de março de 1970;

        Considerando que o Governo brasileiro depositou o Instrumento de Adesão do referido Tratado, em 18 de setembro de 1998, passando o mesmo a vigorar para o Brasil, em 18 setembro 1998;"

    Á partir desta data, o Brasil se destinou a se tonar ao que se chama em geopolítica entre a turma dos LOBOS e dos CARNEIROS.

Imaginem qual foi o escolhido!

Em nome de um "pacifismo" que não existe no mundo real, o Brasil se submete às vontades e desejos de potencias estrangeiras. 

Aproveitando-se da atávica mania de vira-latas entre as nações, e de uma perda diária de falta de apego à terra, aos seus representantes maiores na história e de péssimos políticos que se esmeram em ser piores a cada dia, o Brasil se tornou numa espécie de prostituta do mundo.

Principalmente na Amazônia.

15.800 "ONGS" de qualquer e de todos os tipos que se pode imaginar, pululam na região amazônica, explorando, dividindo, invadindo, roubando, enganando e se apropriando de tudo que existe naquela área: desde a população através de péssimos e corruptos representantes, até organizações transnacionais - e que quer que se permita enganar, não estão aqui para ser bonzinhos. Para evitar a extinção das Girafas, dos Leões e dos Tigres amazônicos.

Sobram como atores de importância, as HIENAS - que proliferam como vírus importados....

Retornando ao título de abertura, procuramos apenas demonstrar a FRAGILIDADE na qual o Brasil se encontra, "voluntariamente" o Brasil se colocou como um gigante aleijado, incapaz de se defender.

NÃO EXISTEM PAÍSES AMIGOS! EXISTEM INTERESSES!

Seja no Ocidente, seja no Oriente, qualquer país que se preze irá - a depender dos seus interesses e das suas necessidades - explorar ou negociar estas necessidades e estes interesses. NÃO EXITE ALMOÇO GRÁTIS! Cada negócio fechado entre o Brasil e quem quer que seja, deve ser a expressão da autonomia de cada país.

Não existe preocupação, por exemplo, da Comunidade Europeia com incêndios na Amazônia, na Califórnia ou em Portugal. Existem INTERESSES em explorar mais quem pode menos!

Portanto, em nome da DEFESA DO BRASIL, é importante que o país tenha o poder de DECIDIR SEM INTERFERÊNCIAS DE QUAISQUER TIPO por possuir ARMAMENTO NUCLEAR.

A DISSENÇÃO é a maior proteção que podemos exibir em defesa dos nossos interesses, do nosso país e dos nossos filhos. Não é para que o nosso país seja agressor nuclear, mas que que possamos AFIRMAR que "AQUI, NÃO. NOSSAS FRONTEIRAS TEM DE SER RESPEITADAS! - OU......"

Entendeu, Macron?

quinta-feira, 30 de abril de 2020

​ "Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam."
Platão

domingo, 26 de abril de 2020


DESCARTÁVEIS!
Nós, eleitores, somos descartáveis!
Provaram que os seus umbigos são mais importantes que nós todos!

sexta-feira, 24 de abril de 2020

TRAIÇÃO!

O PIOR CONCEITO MORAL.
FUI TRAÍDO POLITICAMENTE, MAIS UMA VEZ! 
MAS, PERMANEÇO FIEL AOS MEUS PRINCÍPIOS DE DIREITA! SEMPRE!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O RETORNO DO MAL ASSOMBRO....

ELEIÇÕES 2014!

Depois da ultima eleição presidencial, onde o povo mandou para Brasília a ex-guerrilheira e assaltante de bancos, que depois passou a ser conhecida como a famigerada DILMANTA, A PRESIDANTA, a decepção foi tanta que....simplesmente deixei de lado o blog e a vontade de escrever.

Passaram-se quatro malfadados anos.

Nestes anos desastrosos, assistimos a corrupção correr à solta no país. Escândalo após escândalo trouxeram à tona o mais malsinado lixo que um república de bananas pôde produzir - ao final, e bem próximo das novas eleições, estourando como um ovo podere o escândalo da Petrobrás.

Também neste ínterim, foi covardemente assassinado o ex governador de Pernambuco, Eduardo Campos - provavelmente pelos mesmos celerados com os quais privou de cama e mesa durante nove anos, mas que desde novembro do ano passado considerou como oposicionistas.

A quadrilha do pt muito se assemelha aos clãs mafiosos, onde apenas se pode entrar. Sair, jamais! pelo menos, não vivo!

Domingo, 05 de outubro de 2014, novas eleições. As perspectivas de mudança, são poucas. Estamos entre a cruz e a caldeirinha - tendo em vista que o Aécio poucas chances tem de entornar o caldo dos petistas.

Sobra a ex-piniqueira, política melancia (ver por fora, vermelha por dentro), que com o seu jeitão de integrante do mst disputa com a cascavel presidanta a cadeira de chefe deste políticamente amaldiçoado país.

Peço a Deus que me dê uma lição mostrando que eu estou errado em apontar novo desastre político institucional, e que demonstre que o país se recuperará dos gafanhotos que o vilipendiaram nos ultimos anos de entrega as hordas petistas.

Serão tempos difíceis e instáveis, os próximos anos.

Quem viver, verá!

RETOMANDO COM AS LEMBRANÇAS DE GARANHUNS...

​
AS BOLAS DE FOGO!

A minha Garanhuns dos anos 60, era uma maravilha. Pequena mas aconchegante. Todos se conheciam, e não havia a menor possibilidade de se sair de casa sem cruzar com um conhecido, de trocar um cumprimento, de se parar para dois dedos de prosa.
Nesta época, meu avô, o seu Vitalino, ficava diariamente parado envolto no seu capote, de chapéu, encostado na janela do casarão de número 71 da Avenida Santo Antonio, como a que vigiar a cidade.
Lá permanecia desde a metade da tarde, ao bater das seis horas, quando descia para a sua casa e ia tomar o seu chá ou leite quente – pois morreu aos 96 anos sem jamais haver tomado um só gole de café!
Neste horário, lá pelas seis horas da tarde, principalmente no mês de maio, já saia a minha tia Mariquinha da casa de vovô, de mantilha na mão bem como de missal, para ir religiosamente assistir as novenas do mês de maio.
Como toda cidade pequena, neste mês romanticamente apelidado de “mês da noivas”, a cidade se transformava.
Todas as noites, espoucavam fogos! Pouco depois das seis, passava, garbosa, a Banda de Música da Prefeitura – verdadeira “furiosa” – a tocar todas as noites as mesmas batidas marchinhas.
Lá iam eles! Orgulhosos, com a molecada correndo do lado e apanhando os restos dos foguetes que caiam ao derredor.
Os sinos da catedral de Santo Antonio, acompanhavam a festa.
Batiam sem cessar, no seu blem-blem animado, vigoroso, puxados que eram pelo sacristão lá no primeiro andar do coro da Igreja, através de duas cordas de cânhamo que pendiam através de dois buracos no forro de madeira.
Pouco depois da chegada da Banda Municipal à porta da Igreja, iniciavam os sacerdotes o seu ofício.
Durante este, o coral da Igreja cantava destoado as mesmas velhas músicas, ano após ano, tais como “queremos Deus, que é o nosso Rei, queremos Deus que é nosso pai...” destacando-se sempre a voz de dona Joaninha, uma senhora magrinha, verdadeiro “cibito”, dona de uma voz de soprano extremamente alta, que se destacava imensamente das suas companheira, indo reboar lá no fim da praça da Igreja.
Até meu pai, mouco, comentava: “eita que hoje Joaninha está danada...”.
Assistir a estas celebrações era por vezes, divertido.
Padre Tarcísio – de todos os celebrantes, o menos paciente – se pegava uma das comadres conversando, não tinha a menor cerimônia de lá de onde estava, de dar-lhes um esporro.
Se quisessem conversar, que saíssem da Igreja!
De outra feita, numa dessas ocasiões, conta a lenda que ele perdeu as estribeiras. Um dia, entre uma tosse fina e outra (tosse esta que o acompanhava há anos) conseguiram irritar tanto o Padre que este berrou lá de cima do altar: “querem me fazer de besta? Porque é que acham que estou usando esta merda preta? É por causa da e.... da minha mãe” – pois diziam que o seu sacerdócio era fruto de uma promessa que a sua mãe fizera, e não escolha do próprio.
Como menino, de vez enquanto assistia a episódios que ainda hoje não posso descrever, que dava alguma credibilidade as lendas da minha Garanhuns. As empregada da minha casa que o digam...
Bom, mas voltemos ao que interessa. O mês de maio e as Bolas de Fogo!
Mas, que diabos tem maio com bolas de fogo?
Garanhuns destes tempos, no inverno, era prolífica em duas coisas alem do frio: pulgas e ratos!
Indo-se a qualquer dos cinemas da cidade, voltava-se à casa com uma coleção de pulgas que não tinha tamanho.
Era cada pulga bem criada, que dava gosto. Catar pulgas nos cobertores e coloca-los no sol tão logo este aparecia no inverno, era mandatório! Se não se procedesse assim, corria-se o risco de ser “bebido” vivo pelas danadas das pulgas!
E os ratos. Ah. Estes variavam de generosas catitas a monstruosos guabirus que habitavam o quintal e o socavão do casarão da Santo Antonio.

Era uma luta árdua e diária contra estes bichos, próprios de uma casa antiga, que diziam ter sido propriedade de Simoa Gomes, fundadora da cidade.
Minha mãe, coitada, empenhava-se nesta luta diária duplamente motivada. A uma, pelo fato higiene. Manter um casarão daqueles limpo, era uma tarefa árdua.
A duas, pelo medo. Tinha verdadeiro horror a ratos. Não podia vê-los sem tremer.
Assim, diligentemente comprava a cada final de semana, na feira do centro da cidade aos sábados, uma profusão de ratoeiras e de gaiolas pra pegar ratos.
Armava-as com cuidado, sempre com um bom pedaço de sebo ou de queijo, e, pela manhã, ia com as suas secretárias do lar dar uma volta nos cantos do casarão para ver o rendimento da noite.
Os ratos e guabirus pegos nas ratoeiras, já estavam mortos e iam direto prum buraco cavado pelo meu avô.
Os pegos nas gaiolas recebiam demorado banho de água quente, transportando-os desta para melhor...
Aí entrou a idéia de menino. Já que os ratos pegos na gaiola iam morrer mesmo, porque não fazer um pouco diferente? Vamos fazer uma experiência!
Acordando mais cedo que o costume, corri a buscar uma das gaiolas pega ratos da minha mãe, e escondi a danada num dos recônditos do imenso casarão. Lugar para esconder é que não faltava!
O segundo passo da trela, era de recolher um litro de gasolina do carro do meu pai, um Mercury 57 do qual ele morria de ciúmes.
Conseguidos os dois passos, restava apenas aguardar o final de tarde, para melhor apreciar o mês de maio.
De repente, lá vem a “furiosa” da Prefeitura tocando as suas marchinhas. Os sinos iniciaram a tocar, e o foguetório começara.
Minha tia Mariquinha, junto com as suas colegas beatas, acorreram a Igreja, e forma rezar. O dia ainda estava claro.
Rezaram por cerca de uma hora, e, com novo foguetório e marchas da Banda de Música, desceram as senhoras beatas os degraus da Catedral de Santo Antonio, enlevadas pelas rezas, em verdadeiro estado de graça.
Me preparei num desvão da esquina que descia pro Pau Pombo.
Numa das mãos, a gaiola com uns seis guabirus bem criados. Na outra mão, o litro furtado de gasolina, e uma caixa de fósforos.
Colocada a gaiola no chão, cuidei de banhar os guabirus na gasolina com o maior zelo! Os bichos se agitaram.
Não gostaram muito daquele banho mal cheiroso de gasolina, e puseram-se a pular feito doidos dentro da gaiola, como que prevendo um desastre.
Em seguida, risco um fósforo, acendo os guabirus e abro a porta!
Coisa mais linda! Bolas de Fogo em plena avenida, homenageavam o mês de maio!
As bolas, corriam como raios! Mas....desastre! correram pro lugar errado.Ao invés de descerem a rua do Pau Pombo abaixo, resolveram correr Santo Antonio acima, via degraus da Catedral justamente por onde desciam as beatas em estado de graça!
Os guabirus, desrespeitosos e pegando fogo, subiram pelas pernas de algumas, reduzindo as suas meias de nylon a....nada!
Outros guabirus mais afoitos, subiram na carreira escalando as paredes, a lateral da Livraria São José, indo parar pegando fogo, no seu telhado.
A “furiosa” deixou de tocar, o fogueteiro deu uma carreira q eu dava gosto de ver. O povo, corria e gritava, e umas duas beatas desmaiaram.
Minha tia tinha tido o azar de ter um “guabiru flamejante” nas pernas, e ter as suas preciosas meias reduzidas a um material grudento nas pernas finas.
Foi um Deus nos acuda!
Do meu canto escondido, dava as minhas risadas, até que alguém me vendo apontou o dedo e disse: “lá está o filho de Valderedo – ele deve ter feito esta merda toda!”.
Acabou a graça. Corri pra me esconder, mas já era tarde.
Algumas vítimas das lindas Bolas de Fogo se refugiaram lá em casa, e logo a noticia do culpado pela trela se espalhou.
Indignado, meu pai ao mesmo tempo em que perguntava se eu esta doido, se desvelou em me fazer dormir de “couro quente”,
Assim, esta é uma das lembranças que tenho do mês de maio na minha Garanhuns de décadas atrás.
A trela podia ser grande, mas não faltava imaginação à meninada de uma modorrenta cidade do interior pra quebrar a rotina...

domingo, 2 de janeiro de 2011

O SERMÃO DO BOM LADRÃO

Ninguém é capaz de ser mais atual - quase um Profeta - como o bom Padre Antonio Vieira.
Ecoam vindas do Século XVII as suas palavras, como se tiradas de atual informativo. 
Nos finais de semana prolongados como este, em que o não fazer nada impõe providencia contra o vazio e a indolência, nada mais produtivo do que preencher e iluminar o espírito e elevar a alma do que ler e reler ao sábio Antonio Vieira.
Entretanto, a sua leitura se torna além de prazeirosa, angustiante.
A constatação de que o progresso tecnológico e social desde o já distante Século XVII aos nossos dias, demonstra que o cerne o Homem permanece o mesmo.
Os pecados, são cometidos à granel, incidindo sobre os mesmos pontos que o Mestre Vieira tão bem retrata.
Ao reler este Sermão do Bom Ladrão, cuja releitura coincide neste final do ano com o introito de um novo governo no País, fatos mais que atuais, mais que escandalosos, mais que pecaminosos exsurgem do texto - daí a angústia. Doutra feita, passagens há que são cômicas, pois que trágicas, de uma tragédia humana cotidiana e tão revelada que nos faz rir.
Escolhi alguns trechos, aos quais comentarei brevemente, procurando não cansar aqueles que possam dar atenção a este tolo que ora escreve.
Inicia-se, magistralmente, assim o bom Sermão:
"Sermão do Bom Ladrão (1655)
do Padre António Vieira.

Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum: Hodie mecum eris in Paradiso 

I
E
ste sermão, que hoje se prega na Misericórdia de Lisboa, e não se prega na Capela Real, parecia-me a mim que lá se havia de pregar, e não aqui. Daquela pauta havia de ser, e não desta. E por quê? Porque o texto em que se funda o mesmo sermão, todo pertence à majestade daquele lugar, e nada à piedade deste. Uma das coisas que diz o texto é que foram sentenciados em Jerusalém dois ladrões, e ambos condenados, ambos executados, ambos crucificados e mortos, sem lhes valer procurador nem embargos. Permite isto a misericórdia de Lisboa? Não. A primeira diligência que faz é eleger por procurador das cadeias um irmão de grande autoridade, poder e indústria, e o primeiro timbre deste procurador é fazer honra de que nenhum malfeitor seja justiçado em seu tempo. "

             Já nesta introdução, critica Antonio Vieira de forma sarcástica, a impropriedade do local no qual o ato se desenrola. Mais próprio para se falar em tal assunto, seria ao invés da Capela, as Cortes - pois o assunto central do discurso mais se encontra em quantidade e qualidade nesta que naquela. Os desatinos, desgovernos, desvios e pecados cometidos contra os súditos que buscam, muitas vezes, na fé uma saída ou uma balsa de salvação, não são, ainda hoje, os ouvidos mais próprios para receber a reprimenda.
E, entretanto, também o são - tendo em vista que hoje, mais que ontem, são os súditos do Estado que escolhem os seus príncipes, mormente aqui, onde de há muito deixaram de ser de escolha divina.
                Hoje, não temos que rezar para que nasça um bom príncipe, mas escolher o bom príncipe, e fiscalizá-lo. O beneplácito divino foi substituído pelo exercício da cidadania.
                 Entretanto, como sabemos e sentimos, o exercício da cidadania exige a perda de maus hábitos, tais como a contemplação dos excelentíssimos umbigos, a perda do individualismo importado de outras culturas, como a americana, cujo exacerbamento do individualismo deu-se em contrapartida ao comunismo da guerra fria, mas que se perpetua até hoje - apesar de o mundo já sinalizar há anos que não existem mais condições físicas e naturais de manutenção de tão expensivo Status quo. 
                 Prosseguindo no seu discurso, encontramos ainda nesta memorável obra, trecho que diz da responsabilidade do príncipe na escolha dos seus ajudantes, para que  a ordem, a licitude e a propriedade administrativa seja mantida. 
                     Neste trecho, surpreende-nos a liberdade com a qual trata o pároco, ao exemplificar esta responsabilidade do príncipe com atributos do próprio Deus ao entregar o Paraíso nas mãos de Adão, pois Vieira culpa a Divindade pela falha na sua escolha. Senão, vejamos:

                    "Pôs Deus a Adão no Paraíso, com jurisdição e poder sobre todos os viventes, e com senhorio absoluto de todas as coisas criadas, excepta somente uma árvore. Faltavam-lhe poucas letras a Adão para ladrão, e ao fruto para furto não lhe faltava nenhuma. Enfim, ele e sua mulher — que muitas vezes são as terceiras — aquela só coisa que havia no mundo que não fosse sua, essa roubaram. Já temos a Adão eleito, já o temos com ofício, já o temos ladrão. E quem foi o que pagou o furto? Caso sobre todos admirável! Pagou o furto quem elegeu e quem deu o ofício ao ladrão. Quem elegeu e quem deu o ofício a Adão foi Deus: e Deus foi o que pagou o furto tanto à sua custa, como sabemos. O mesmo Deus o disse assim, referindo o muito que lhe custara a satisfação do furto e dos danos dele: Quae non rapui, tunc exolvebam . Vistes o corpo humano de que me vesti, sendo Deus; vistes o muito que padeci, vistes o sangue que derramei, vistes a morte a que fui condenado, entre ladrões. Pois, então, e com tudo isso, pagava o que não furtei. Adão foi o que furtou, e eu o que paguei: Quae non rapui, tunc exolvebam."

                         Em época em que a vigilância da Igreja velava atenta sobre o inquestionável poder divino, é um atrevimento quase herético do autor, imputar-se a Deus por sua má escolha, e de quebra, de forma sutil, ainda indicar que não só Deus pagou o pecado, mas a coletividade Humana subseqüente que nada cometeu junto com o vilão da estória. Ainda do ponto de vista jurídico, não se limitava ao comitente a responsabilidade pela vileza dos seus atos, extravasando à sua prole a culpa.
                          Mas o que se destaca, é a indiscutível responsabilidade do príncipe pelas escolhas e pelos resultados - bons ou maus - destas.
                         Para finalizar, porque já se faz longa a escrita, em seqüencia à responsabilidade dos príncipes, adjunta o Padre Viera o critério para o qual os auxiliares do príncipe deverão ser escolhidos.
                         Neste ponto, salta-nos à vista a atualidade, após ler o que coloco para reflexão:

                         "Elejam assim os reis as pessoas, e provejam assim os ofícios, e Deus os desobrigará nesta parte da restituição. Porém as eleições e provimentos que se usam não se fazem assim. Querem saber os reis se os que provêem nos ofícios são ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: Qui non intral per ostium, jur est et latro . A porta por onde legitimamente se entra ao ofício, é só o merecimento. E todo o que não entra pela porta, não só diz Cristo que é ladrão, senão ladrão e ladrão: Fur est latro. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez porque furta o ofício, e outra vez porque há de furtar com ele. O que entra pela porta poderá vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não há mister outra prova: já se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão descoberto, que essa é, como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a latro."

                          Após este trecho, e ao assistirmos as eternas negociatas e negociações dos partidos políticos pelo poder, colocando por outros caminhos que não o do merecimento (capacidade = ostium) para participar como indicados para o governo que se inicia, dão clareza, legitimidade e atualidade ao ecoar destas palavras provindas de 1655!
                     Presenciamos acontecimentos tais como mensalões, mensalinhos, assassinatos de prefeitos que sabiam demais - e, pasmem: sua viúva hoje integra o governo daqueles que foram acusados de matá-lo - em uma descarada cooptação e compra do perdão - já que nenhuma investigação avançou, e nada foi esclarecido e menos ainda concluído sobre o caso.
                        Sequer a grande mídia, foi capaz de tecer qualquer comentário sobre o insólito fato desta viúva participar das convulsões intestinas do partido da atual presidente.
                       Quero estar errado, mas as projeções não são boas, e a atualidade e sabedoria do Sermão do Bom Ladrão, me assusta!
                         Quem viver, verá!