Bem Vindo - Willkommen - Welcome - Bienvenido

Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere.

Ulpiano, Digesta 1.1.10.1;

Institutiones 1.1.3

São estes os preceitos do Direito: viver honestamente, não lesar o próximo, dar a cada um o que é seu.

Bem vindo ao meu Blog.
Neste mundo cada vez mais apertado de lugares e de idéias, acredito poder ser este um espaço para desabafos.
Espero ter a perseverança necessária para mantê-lo, e oferecer aos que o descobrem, incentivo para participar.
Sendo assim, sejam todos, mais uma vez, Bem Vindos!

A tempo: Se você é um chato, pouco bafejado pela natureza com Q.I., fanático por futebol, por Religião ou por qualquer outro tipo de limitação mental, acredito que este endereço não lhe seja muito simpático...

domingo, 2 de janeiro de 2011

O SERMÃO DO BOM LADRÃO

Ninguém é capaz de ser mais atual - quase um Profeta - como o bom Padre Antonio Vieira.
Ecoam vindas do Século XVII as suas palavras, como se tiradas de atual informativo. 
Nos finais de semana prolongados como este, em que o não fazer nada impõe providencia contra o vazio e a indolência, nada mais produtivo do que preencher e iluminar o espírito e elevar a alma do que ler e reler ao sábio Antonio Vieira.
Entretanto, a sua leitura se torna além de prazeirosa, angustiante.
A constatação de que o progresso tecnológico e social desde o já distante Século XVII aos nossos dias, demonstra que o cerne o Homem permanece o mesmo.
Os pecados, são cometidos à granel, incidindo sobre os mesmos pontos que o Mestre Vieira tão bem retrata.
Ao reler este Sermão do Bom Ladrão, cuja releitura coincide neste final do ano com o introito de um novo governo no País, fatos mais que atuais, mais que escandalosos, mais que pecaminosos exsurgem do texto - daí a angústia. Doutra feita, passagens há que são cômicas, pois que trágicas, de uma tragédia humana cotidiana e tão revelada que nos faz rir.
Escolhi alguns trechos, aos quais comentarei brevemente, procurando não cansar aqueles que possam dar atenção a este tolo que ora escreve.
Inicia-se, magistralmente, assim o bom Sermão:
"Sermão do Bom Ladrão (1655)
do Padre António Vieira.

Domine, memento mei, cum veneris in regnum tuum: Hodie mecum eris in Paradiso 

I
E
ste sermão, que hoje se prega na Misericórdia de Lisboa, e não se prega na Capela Real, parecia-me a mim que lá se havia de pregar, e não aqui. Daquela pauta havia de ser, e não desta. E por quê? Porque o texto em que se funda o mesmo sermão, todo pertence à majestade daquele lugar, e nada à piedade deste. Uma das coisas que diz o texto é que foram sentenciados em Jerusalém dois ladrões, e ambos condenados, ambos executados, ambos crucificados e mortos, sem lhes valer procurador nem embargos. Permite isto a misericórdia de Lisboa? Não. A primeira diligência que faz é eleger por procurador das cadeias um irmão de grande autoridade, poder e indústria, e o primeiro timbre deste procurador é fazer honra de que nenhum malfeitor seja justiçado em seu tempo. "

             Já nesta introdução, critica Antonio Vieira de forma sarcástica, a impropriedade do local no qual o ato se desenrola. Mais próprio para se falar em tal assunto, seria ao invés da Capela, as Cortes - pois o assunto central do discurso mais se encontra em quantidade e qualidade nesta que naquela. Os desatinos, desgovernos, desvios e pecados cometidos contra os súditos que buscam, muitas vezes, na fé uma saída ou uma balsa de salvação, não são, ainda hoje, os ouvidos mais próprios para receber a reprimenda.
E, entretanto, também o são - tendo em vista que hoje, mais que ontem, são os súditos do Estado que escolhem os seus príncipes, mormente aqui, onde de há muito deixaram de ser de escolha divina.
                Hoje, não temos que rezar para que nasça um bom príncipe, mas escolher o bom príncipe, e fiscalizá-lo. O beneplácito divino foi substituído pelo exercício da cidadania.
                 Entretanto, como sabemos e sentimos, o exercício da cidadania exige a perda de maus hábitos, tais como a contemplação dos excelentíssimos umbigos, a perda do individualismo importado de outras culturas, como a americana, cujo exacerbamento do individualismo deu-se em contrapartida ao comunismo da guerra fria, mas que se perpetua até hoje - apesar de o mundo já sinalizar há anos que não existem mais condições físicas e naturais de manutenção de tão expensivo Status quo. 
                 Prosseguindo no seu discurso, encontramos ainda nesta memorável obra, trecho que diz da responsabilidade do príncipe na escolha dos seus ajudantes, para que  a ordem, a licitude e a propriedade administrativa seja mantida. 
                     Neste trecho, surpreende-nos a liberdade com a qual trata o pároco, ao exemplificar esta responsabilidade do príncipe com atributos do próprio Deus ao entregar o Paraíso nas mãos de Adão, pois Vieira culpa a Divindade pela falha na sua escolha. Senão, vejamos:

                    "Pôs Deus a Adão no Paraíso, com jurisdição e poder sobre todos os viventes, e com senhorio absoluto de todas as coisas criadas, excepta somente uma árvore. Faltavam-lhe poucas letras a Adão para ladrão, e ao fruto para furto não lhe faltava nenhuma. Enfim, ele e sua mulher — que muitas vezes são as terceiras — aquela só coisa que havia no mundo que não fosse sua, essa roubaram. Já temos a Adão eleito, já o temos com ofício, já o temos ladrão. E quem foi o que pagou o furto? Caso sobre todos admirável! Pagou o furto quem elegeu e quem deu o ofício ao ladrão. Quem elegeu e quem deu o ofício a Adão foi Deus: e Deus foi o que pagou o furto tanto à sua custa, como sabemos. O mesmo Deus o disse assim, referindo o muito que lhe custara a satisfação do furto e dos danos dele: Quae non rapui, tunc exolvebam . Vistes o corpo humano de que me vesti, sendo Deus; vistes o muito que padeci, vistes o sangue que derramei, vistes a morte a que fui condenado, entre ladrões. Pois, então, e com tudo isso, pagava o que não furtei. Adão foi o que furtou, e eu o que paguei: Quae non rapui, tunc exolvebam."

                         Em época em que a vigilância da Igreja velava atenta sobre o inquestionável poder divino, é um atrevimento quase herético do autor, imputar-se a Deus por sua má escolha, e de quebra, de forma sutil, ainda indicar que não só Deus pagou o pecado, mas a coletividade Humana subseqüente que nada cometeu junto com o vilão da estória. Ainda do ponto de vista jurídico, não se limitava ao comitente a responsabilidade pela vileza dos seus atos, extravasando à sua prole a culpa.
                          Mas o que se destaca, é a indiscutível responsabilidade do príncipe pelas escolhas e pelos resultados - bons ou maus - destas.
                         Para finalizar, porque já se faz longa a escrita, em seqüencia à responsabilidade dos príncipes, adjunta o Padre Viera o critério para o qual os auxiliares do príncipe deverão ser escolhidos.
                         Neste ponto, salta-nos à vista a atualidade, após ler o que coloco para reflexão:

                         "Elejam assim os reis as pessoas, e provejam assim os ofícios, e Deus os desobrigará nesta parte da restituição. Porém as eleições e provimentos que se usam não se fazem assim. Querem saber os reis se os que provêem nos ofícios são ladrões ou não? Observem a regra de Cristo: Qui non intral per ostium, jur est et latro . A porta por onde legitimamente se entra ao ofício, é só o merecimento. E todo o que não entra pela porta, não só diz Cristo que é ladrão, senão ladrão e ladrão: Fur est latro. E por que é duas vezes ladrão? Uma vez porque furta o ofício, e outra vez porque há de furtar com ele. O que entra pela porta poderá vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia, outros pelo suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não há mister outra prova: já se sabe que não vai a perder. Agora será ladrão oculto, mas depois ladrão descoberto, que essa é, como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a latro."

                          Após este trecho, e ao assistirmos as eternas negociatas e negociações dos partidos políticos pelo poder, colocando por outros caminhos que não o do merecimento (capacidade = ostium) para participar como indicados para o governo que se inicia, dão clareza, legitimidade e atualidade ao ecoar destas palavras provindas de 1655!
                     Presenciamos acontecimentos tais como mensalões, mensalinhos, assassinatos de prefeitos que sabiam demais - e, pasmem: sua viúva hoje integra o governo daqueles que foram acusados de matá-lo - em uma descarada cooptação e compra do perdão - já que nenhuma investigação avançou, e nada foi esclarecido e menos ainda concluído sobre o caso.
                        Sequer a grande mídia, foi capaz de tecer qualquer comentário sobre o insólito fato desta viúva participar das convulsões intestinas do partido da atual presidente.
                       Quero estar errado, mas as projeções não são boas, e a atualidade e sabedoria do Sermão do Bom Ladrão, me assusta!
                         Quem viver, verá!





 







quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

FELIZ ANO NOVO!

Foi-se! 
Da mesma maneira rápida e fluida que veio, foi...
Assim é o tempo: fluido, inodoro, invisível, incorpóreo...
Só dá notícias da sua existência, através do estrago que faz nos velhos, e no progresso que desponta nos novos.
Nunca me imaginei com esta visão sobre o tempo. Até então, inexistia. Era um mero e oficial contar de horas e dias, formando meses e anos.
Hoje, com a personal inclusão da minha existência dentro dos estragos do tempo, pensamentos como estes passam a ter relevância.
Não relevância depressiva, mas relevância contemplativa, de quem já degusta a vida.
Assim, preparo-me para mais uma virada de ano, para a contagem oficial do ano que se finda e do próximo que se iniciará.
Aguardo as surpresas que certamente virão, boas ou más. Para maior independência dos filhos, para o crescimento veloz dos netos, para as descobertas belas e terríveis da nova profissão, para lamber as feridas e os sofrimentos permanentes que a boa e velha profissão me causaram - enfim: vem aí mais uma dose do letal cotidiano.
FELIZ ANO NOVO!!!!!



domingo, 12 de dezembro de 2010

O CACHORRO VIRA LATAS

Na mormacenta tarde de verão, debaixo de frondosa árvore, descansa o vira latas. 
Abana de vez em quando o magro rabo, espantando moscas que insistem em lhe visitar mais intimamente, trazendo-lhe desconforto. 
Nenhuma preocupação maior tem o nobre animal - apesar da designação racial que lhe rotularam - a não ser matar a fome com o que acha. e mostrar serviço através da valentia natural que detém.
Não foi construído para pensar, para ser treinado ou para tomar grandes decisões. Age de forma automática e instintiva, pois na sua simplicidade mental, mais do que isso é motivo de dor de cabeça.
De repente, um barulho interrompe seu exercício mental preferido: abanar as moscas.
Ao longe, ultrapassando a curva da estrada e vindo em sua direção, envolto em poeira fumaça e barulho, disparava um monstro, provido de quatro patas escuras e rodopiantes, emitindo gritos estridentes e assustando outros animais por  onde passava. Vinha na sua direção aquela ameaça sem nome.
Se pôs de pé, apontou o fino rabo e aprontou-se para a luta. Não ia entregar o seu espaço sem uma boa briga.
Quando a barulhenta coisa se aproximou, partiu de cá o vira latas com os dentes à mostra, os latidos anunciando sua presença e avisando que o terreno era seu.
Corre desesperado e  ameaçador ao lado do monstro invasor, querendo lhe assestar dentadas e mostrar quem manda no pedaço. Expulsá-lo  das suas posses para retornar ao seu descanso.
Nesta disposição, corre uns cem metros ao lado do monstro, ameaçando-lhe a vida, no seu sentir, através da promessa de destroçá-lo com suas presas à mostra.
De repente, sabe Deus lá por que razão, o monstro barulhento e sua nuvem de poeira, páram.
O ruido ensurdecedor que vinha das entranhas do monstro, silencia, assim como os gritos que vinha dando anunciando a sua ameaçadora presença desde que fez a curva da estrada, há algumas centenas de metros atrás.
Silêncio!
A poeira assenta, e o motorista do automóvel aproveita a parada para consultar o seu mapa e conferir a sua localização.
Para também o vira latas, de chofre, sem saber o que fazer diante daquela inesperada situação.
Olha pros lados, cheira os pneus do carro, dá meia volta e sai meio batido pelo medo e pela insegurança, sem saber como classificar a sua aventura.
Vitória sobre o inimigo? sorte de estar vivo? mêdo da situação?
Bom, como bom vira latas, isto já não é mais da sua conta. Insistir matutando sobre o assunto, só lhe trará dor de cabeça e fome.
Melhor voltar pra debaixo da árvore, e curtir a tarde, o descanso e as moscas... e assim o fez.


BRASIL, DEZEMBRO DE 2010.


Que diabos tem a haver, o Brasil e os vira latas? qual a ligação entre o Brasil , seus brasileiros, e este pobre animal, usado como preâmbulo desta despretensiosa crônica de final de semana, após quinze dias de ausência escrita?
Há quinze dias nada escrevo por aqui, não que não exista assunto, pois assuntos existem, sempre, dos mais diversos matizes. 
Difícil mesmo é escolher apenas um, e dar-lhe certa prioridade frente aos outros.
Depois de muito matutar, escolhi o da guerra civil vivida no Rio de Janeiro, com seus lances Hollywoodianos, tomada de morros pela polícia e preparativos para as UPP´s (Unidades de Polícia Pacificadora) e a seqüencia da vida daqueles que ainda permanecem por lá.
Me ocorreu a idéia dos vira latas. Em primeiro, pela assertiva de que, racialmente, brasileiros e vira latas tem muito em comum: os brasileiros, na sua grande maioria, são, como chamam os veterinários aos vira latas, "sem raça definida", os famosos "SRD´s" habitantes da nossas ruas; Em segundo, pela descrita atitude dos vira latas, quando enfrentam os perigos e os "acuam". O que fazer?
O rio de Janeiro vive a situação de haverem "acuado" o crime organizado, desmantelado o seu poderio, quebrado a sua espinha econômica e subido ao morro para ficar.
Será?
Nesta pós tomada dos morros, desceram os bandidos para o asfalto - pois sabem que a polícia não tem poderio de homens e de fogo para manter-se nos dois lugares ao mesmo tempo.
De outra feita, as fronteira pelas quais passam armas e drogas, ainda permanecem abertas - pois não existe contingente suficiente de Policiais Federais e de Exército para tapar todos os "buracos" existentes nas fronteiras.
Ademais, ainda padecemos da falta de VONTADE POLÍTICA para que tal vedação necessária ao controle do crime venha a ocorrer. As FARC, ao norte, "amigos" do molusco governamental, o o paraguai (com minúsculas, é o correto...) ao sudoeste, com a sua confusa política em torno da Itaipú "Binacional" (apesar de havermos construido ELA TODA com o nosso dinheiro), e que sempre foi e dá mostras que será por muito tempo, uma fronteira permissiva e sem lei.
Nesta conjuntura, só me vem à cabeça a situação do nosso irmão vira latas: o "monstro" parou. O cão, parou, olhou, e não sabe o que fazer.
E assim, pelo menos por enquanto, concluímos esta pequena história.
Você tem alguma conclusão alternativa?
Um abraço, e uma boa semana!


A "VITÓRIA"


A ORIGEM....

domingo, 28 de novembro de 2010

O HAITI CONTINUA AQUI...

A velha toada musical de que o Haiti é aqui, continua vívida e atual.
O Rio de Janeiro que o diga!
As imagens e as notícias da herança maldita deixada por Leonel Brizola, assombra o país, apesar de o autor desta herança já haver morrido há tempos.
Como o brasileiro em geral, tem memória curta (será genético?), vamos a uma pequeno e curto mergulho na História.
Retornando ao Brasil o Brizola reinicia a sua carreira política, e entre os seus feitos, foi assumir o (des) governo do Rio de Janeiro, preparando o Estado e a cidade para as conseqüências que vemos hoje. Uma bomba relógio política, detonada décadas após deixar o poder.
Por expressa ordem do governador, a polícia carioca deixava de subir nas favelas, redutos maiores dos seus eleitores - e a ausência do Estado, não poderia deixar de ter conseqüências.
Ao lado disto, a natural corrupção política, a eleição de deputados e de vereadores eleitos através do dinheiro e da influencia do tráfico, fez-se cada vez mais presente. Hoje, com a ameaça de vir para o Brasil a Copa de 2014 - coisa que eu só acredito, vendo - correm os governos atrás do prejuízo de décadas de ausência.
Ausência de tudo! de governo, de segurança, de educação, de trabalho, da Lei.
Nada disto se consegue recuperar em apenas 3 anos e meio.
Para o turista, vir ao Brasil é meter-se num Iraque, num Afeganistão indisfarçável. Será que eles serão tão sedentos de "adrenalina" a ponto de arriscarem suas vidas e propriedades para vir a um país em guerra, desestruturado e caro apenas pelo apelo das belas praias, somados a prostituição de mulheres, meninas e meninos fáceis e disponíveis? No leste europeu podem encontrar o mesmo tipo de "diversão" de maneira mais segura e barata...
Enfim, o Brasil está mostrando a sua cara pressionado por supostos futuros eventos nos quais o mundo deverá tomar parte.
Estamos pagando o preço do populismo político de uma esquerda jurássica que se perpetua através dos tempos, apenas mantendo um único ponto de coerência: estamos SEMPRE na contramão da História....
O molusco presidente teve razão ao escolher o bordão do seu desgoverno, colocando-o em todas as propagandas durante estes oito anos:

BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS!!!



domingo, 21 de novembro de 2010

TARDE MORNA

Tarde morna de um domingo qualquer. Tarde de dezembro em Recife. Modorrenta.Quente.Abafada.
A falta de coragem para imprimir movimento ao corpo por conta do calor, ajuda a apenas embalar a alma lendo um poeta daqui, o nosso Augusto dos Anjos.
Apesar da sua perspectiva funérea de ver a vida, produziu pérolas que superam o escárnio e fazem da horripilante transformação da morte, da consciencia humana da sua fugaz importância, uma obra admirável.
Alguns poemas, só sendo Recifense, ou vivendo nesta secular cidade, podem ser entendidos - e, melhor: sentidos.
Quando ele abre o poema "Cismas do Destino", descreve a ponte Buarque de Macedo e o caminho da casa do Agra - famosa Casa Agra, funerária antiga e ainda existente.
O caminho, tomado pela Rua da Imperatriz até a Casa Agra, Praça Maciel Pinheiro, Rua da Conceição e arredores - só valoriza quem conhece.
Esta cidade, mesmo sob a perspectiva Augustiniana, continua a ser linda.
Aqui vai um pedacinho da poesia, para os que quiserem ler ou reler...





AS CISMAS DO DESTINO 

Recife, Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!

Na austera abóbada alta o fósforo alvo
Das estrelas luzia...
O calçamento Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento,
Copiava a polidez de um crânio alvo.

Lembro-me bem. A ponte era comprida,
 E a minha sombra enorme enchia a ponte,
Como uma pele de rinoceronte
Estendida por toda a minha vida!

A noite fecundava o ovo dos vícios Animais.
Do carvão da treva imensa
Caía um ar danado de doença
Sobre a cara geral dos edifícios!

E, por aí vai.......

Boa semana a todos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AS FÉRIAS DA JUSTIÇA

Recebo de diversos Blogs, notícias de vários matizes - entre elas, referentes as atividades ou inatividades da Justiça nacional.
No mais das vezes, as notas são de péssimo agouro. São sobre o acúmulo de ações, sobre o descumprimento das metas estabelecidas pelo CNJ, ou, como no caso que apresento a voces, sobre as férias pagas na mordomia aos Juízes Estaduais e Federais  nacionais, nos paradisíacos Hotéis, às custas da diversas empresas nacionais e internacionais. O custo? avaliada a farra em 1 milhão de reais.
O OUTRO custo (moral), é de monta inestimável. 
Quem agora se dispuser ao confronto judicial contra uma destas empresas, prepare-se para entrar em zona ainda mais obscura do que já é no tocante a decisões judiciais questionáveis.
Não existe almoço de graça! Em nenhum lugar do mundo!Preparemo-nos para pagar mais este preço - a não ser que o CNJ, que já iniciou ou iniciará Sindicância contra os Magistrados que participarem deste "mimo" tome alguma providência.








JUÍZES ESTADUAIS E FEDERAIS FAZEM EVENTOS EM DOIS HOTÉIS DO NORDESTE DIVULGAÇÃO DO HOTEL


Data: 12.11.10


Os fatos são dois.
 
* Primeiro. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) realiza, desde ontem (11) até amanhã (13), reunião de juízes estaduais, em hotel à beira-mar, em Aracaju (SE), com patrocínio de R$ 1 milhão de empresas públicas e privadas.

São patrocinadores do encontro que se realiza no Hotel Parque dos Coqueiros, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste, o Banco do Estado de Sergipe, os Correios, a Souza Cruz, a Vale, a Vivo, Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, Sindicato das Distribuidoras de Combustíveis  
 
* Segundo. Um encontro de juízes federais está sendo realizado no Hotel Transamérica da Ilha de Comandatuba, na Bahia.

Como patrocinadores estão o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Souza Cruz, a Eletrobras e o co (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). 

As informações foram publicadas pela Folha de S. Paulo em reportagem assinada pelo jornalista Frederico Vasconcelos. O evento é organizado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e se estende desde anteontem (10) até amanhã (13).

Em comum, a notícia de que os dois eventos serão encerrados com shows da cantora Elba Ramalho.
A Souza Cruz informa que seu patrocínio, "feito em plena conformidade com a lei, tem o objetivo de contribuir com o debate do pensamento jurídico nacional". 

O Etco informa que "entende como importante apoiar iniciativas que visem a melhoria dos serviços judiciários no país".  A Caixa e o Banco do Brasil confirmam as contribuições, mas não comentam o apoio. 

Repercussões no CNJ

O conselheiro Jorge Hélio Chaves, integrante do CNJ, disse que pedirá a abertura de uma investigação contra os magistrados que estiverem presentes. As informações são do blog do jornalista Lauro Jardim, da revista Veja.

A iniciativa de Hélio Chaves tem o respaldo de mais três conselheiros. Chaves disse que solicitará à administração dos cinco Tribunais Regionais Federais do país a relação dos magistrados participantes do evento. 

O conselheiro quer propor ao CNJ que crie um grupo de trabalho para limitar ou, pelo menos, deixar mais claras as regras para a concessão de patrocínios a juízes. Isso viria por meio de uma resolução. 
Chaves - que chegou ao CNJ como representante da OAB - é advogado e foi conselheiro federal pela entidade, eleito por seus colegas do Ceará.

"Enxergo como, no mínimo, esquisita esta relação. A ideia da resolução é evitar que isso ocorra no futuro e quebrar esse círculo vicioso" - diz ele.

A Ajufe distribuiu uma nota oficial sobre as declarações de Jorge Chaves. Num dos trechos, a entidade afirma que "não vislumbra no CNJ qualquer atribuição constitucional para a verificação de conduta de magistrados federais que vão reunir-se legitimamente em assembleia geral ordinária anual prevista nos seus estatutos e, acima de tudo, de realização obrigatória". 

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Veja como a Folha de S. Paulo revelou os eventos da magistratura em hotéis do nordeste 
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Bancos estatais patrocinam evento de juízes em resort 
 

Empresas públicas e privadas patrocinarão nesta semana encontro de juízes federais em luxuoso resort na ilha de Comandatuba, na Bahia, evento organizado pela Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), informa reportagem de Frederico Vasconcelos. 

Cada magistrado desembolsará apenas R$ 750. Terá todas as despesas pagas, exceto passagens aéreas, e poderá ocupar, de quarta-feira a sábado, apartamentos de luxo e bangalôs cujas diárias variam de R$ 900 a R$ 4.000. 

A diferença deverá ser coberta pela Caixa Econômica Federal (com patrocínio de R$ 280 mil), Banco do Brasil (R$ 100 mil), Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (R$ 60 mil), Souza Cruz, Eletrobras e Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial). Os três últimos não quiseram informar o valor pago pelo patrocínio. 

OUTRO LADO 

A Ajufe informa que "em todas as oportunidades anteriores adotou o mesmo modelo de encontro, concentrando os seus esforços de organização para proporcionar o debate de temas importantes para o Poder Judiciário e para a sociedade brasileira". 

Segundo a diretoria da Associação dos Juízes Federais do Brasil, o encontro é "financiado em grande parte pela própria Ajufe e por seus associados, que arcam com passagens aéreas".

"Serão debatidos desde temas corporativos a matérias de grande relevância para a sociedade, como combate à impunidade", diz a entidade.
 
"Em toda a sua história a Ajufe sempre se pautou pela ética na obtenção de patrocínios",
 afirmou o presidente, Gabriel Wedy, numa de suas primeiras entrevistas após assumir o cargo, em junho. "É difícil realizar evento sem patrocínio e precisamos dessas ocasiões para trocarmos ideias, mas não podemos nos curvar a patrocinadores e entender isso como troca de favor, o que é inadmissível", disse, na ocasião. 

Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes, diz que a entidade apoia o evento há mais de dez anos. Ele diz que "o Sindicom busca aproximação com juízes para dar esclarecimentos a respeito de ações de empresas que contestam na Justiça normas da ANP [Agência Nacional do Petróleo] e desequilibram o mercado". 

A Souza Cruz informa que seu patrocínio, "feito em plena conformidade com a lei, tem o objetivo de contribuir com o debate do pensamento jurídico nacional". O Etco informa que "entende como importante apoiar iniciativas que visem a melhoria dos serviços judiciários no país". 

A Eletrobras afirma que foi procurada pela Ajufe e "ainda está avaliando a concessão de patrocínio".A Caixa e o Banco do Brasil confirmam as contribuições, mas não comentam o apoio.     


 
Outra associação de juízes tem verba estatal para evento em hotel

Por FREDERICO VASCONCELOS

A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) realiza, de amanhã a sábado, reunião de juízes estaduais, em hotel à beira-mar, em Aracaju (SE), com patrocínio de R$ 1 milhão de empresas públicas e privadas.

Isso levou a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) a acusar o presidente da AMB, Mozart Valadares, de "falta de coerência e oportunismo", ao criticar, ontem na Folha, o encontro de juízes federais na ilha de Comandatuba (BA), "por ser localizado em zona de praia".

São patrocinadores do evento da AMB: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco do Estado de Sergipe, Correios, Souza Cruz, Vale, Vivo e Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária.

A Folha revelou que cada juiz federal desembolsará apenas R$ 750 para participar do evento de Comandatuba, com despesas pagas (exceto passagens aéreas), ocupando durante quatro dias apartamentos de luxo e bangalôs cujas diárias variam de R$ 900 a R$ 4.000.

A diferença é coberta pelo patrocínio de Caixa, Banco do Brasil, Eletrobras, Souza Cruz, Etco e Sindicom.

"Nunca neguei que a AMB recebe patrocínio. Mas não há nada gratuito. Os juízes e acompanhantes que estão em Aracaju pagam a inscrição, a hospedagem e a passagem aérea"
, diz Valadares.

Os dois eventos serão encerrados com show de Elba Ramalho. A Ajufe não revelou os patrocinadores e os valores. A AMB divulgou.

Na Bahia, a maior parte do tempo será dedicada a competições esportivas e atividades sociais. Em Sergipe, haverá campeonato de futebol e torneio de tênis. "Não é proibido fazer evento em cidade com mar, mas um encontro em Comandatuba, num resort, dá conotação de lazer", diz Valadares.

Valadares afirma que a AMB "não admite que o patrocinador indique palestrantes". Mas serão conferencistas em Sergipe a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, e Thales Baleeiro Teixeira, gerente da Vale.

Falarão no evento da AMB os ministros Luiz Fux, do STJ, e Ricardo Lewandowski e Ayres Britto, do STF.

Editoria de Arte/Folhapress






sexta-feira, 5 de novembro de 2010

UMA NAÇÃO DIVIDIDA

Não votei na dilma. Não apoio o lula nem ao seu partido ou aliados. Os motivos, são de convicção política pessoal e filosófica. Tal como gôsto, time de futebol e critérios de beleza, estes valores são tão subjetivos e arraigados que não adianta serem discutidos.
Mas, daí a partir para o ataque pessoal em relação aos discordantes, é meio complicado.
A história da mocinha de São Paulo que meteu os pés pelas mãos, serviu apenas para levantar velhos temas e preconceitos, além de mostrar o despreparo de alguns dos nossos universitários. Ainda bem que ela faz seu curso de Direito em São Paulo.
Já morei no Paraná por muitos anos, onde fiz e tenho grandes amigos e ainda tenho família por lá. Lá, nasceram meus dois filhos mais velhos, e três sobrinhos muito queridos. É uma linda região, que gosto e respeito - mas, tive, vez por outra, de engolir muita bobagem e ouvir um monte de besteiras, ditas como "brincadeira" que espelhavam conceitos e preconceitos embutidos em muita gente da região sul-sudeste, principalmente os mais velhos. E certamente alguns destes se encarregaram de contaminar os mais novos. Assim, as coisas se retroalimentam e nunca acabam.
Penso que a mocinha deve ser responsabilizada pelas suas declarações, com todo o rigor da Lei - não tenham dúvidas.
Mas, não acho que seja um tema que deva ser elevado aos píncaros da importância.
Os motivos, são simples: primeiro, seria ajudar a uma pessoa absolutamente ignorante a ser elevada ao nível de importância nacional. 
De ignorantes "importantes", estou farto, venham de onde vierem!
Segundo, acredito que o mal por si, se destrói. Esta moça, a não ser no estrito círculo das suas amizades e conhecimento, já demonstrou a que veio. 
Como futura Advogada, não trem grandes chances. Bons Advogados tem como pré requisito, a inteligência e a Cultura. Operadores do Direito, que sejam bem formados, jamais partiriam para cometer tamanha bobagem. 
Ainda por cima, escreve mal - pois para ela, frio é "friu" - quem sabe, a temperatura se mede e escreve diferentemente onde ela vive?
Terceiro, nós, os Nordestinos não padecemos de complexo de inferioridade. Nunca padecemos. Não faz  parte do nosso espírito, da nossa herança Cultural nem da nossa genética.
Desde os tempos de maiores dificuldades, nós sempre nos destacamos: nas Letras, nas Artes, nas Profissões.
Com seca ou sem ela, com fome ou na fartura, sempre mantivemos a cabeça erguida e falamos bem da nossa região e do nosso povo.
Podemos nos "rasgar no dente" entre nós - mas jamais permitir que "os outros" apontem nossas fraquezas ou nos destratem.
Além do mais, retorna à superfície o velho tema de quantos Brasis fazem este Brasil?
Pessoalmente, minha Nação chama-se Pernambuco. Meu país, é o meu Estado e minha gente, e o umbigo do mundo é o Recife, com o coração em Garanhuns, onde tive o privilégio de crescer.
Meus irmão mais próximos, me rodeiam: Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, Sergipe, Ceará, Maranhão, Piauí.
A Bahia? não sei.... o baiano sempre quis se bandear para o Sudeste - mas, se quiseram participar desta irmandade, serão bem vindos. Minas Gerais, com a sua parte nordeste, mesmo pobre como é, é bem vinda.
Assim, rodeado de famíliares e de quem me entende, fala a mesma língua, tem os mesmos hábitos e compartilha o mesmo orgulho de pertencer a este pedaço do Brasil - sobra muito pouco espaço para dar atenção a  microbianas inteligências que vez por outra nos atacam.
Quando acontece, lembro-me daquela música cantada pela pela Elba Ramalho - Nordeste Independente.
Eu, estou pronto para assumir esta cidadania, que sempre levei no coração...


Vejam os "apoios".....


Notaram o Português da autora e dos apoiadores?
Nós somos maiores que isto.

P.S.: Só uma pergunta: Se todos os nossos irmãos voltassem para casa, quem iria tocar as indústrias, o comércio, e manter o consumo no sul-sudeste?