Na mormacenta tarde de verão, debaixo de frondosa árvore, descansa o vira latas.
Abana de vez em quando o magro rabo, espantando moscas que insistem em lhe visitar mais intimamente, trazendo-lhe desconforto.
Nenhuma preocupação maior tem o nobre animal - apesar da designação racial que lhe rotularam - a não ser matar a fome com o que acha. e mostrar serviço através da valentia natural que detém.
Não foi construído para pensar, para ser treinado ou para tomar grandes decisões. Age de forma automática e instintiva, pois na sua simplicidade mental, mais do que isso é motivo de dor de cabeça.
De repente, um barulho interrompe seu exercício mental preferido: abanar as moscas.
Ao longe, ultrapassando a curva da estrada e vindo em sua direção, envolto em poeira fumaça e barulho, disparava um monstro, provido de quatro patas escuras e rodopiantes, emitindo gritos estridentes e assustando outros animais por onde passava. Vinha na sua direção aquela ameaça sem nome.
Se pôs de pé, apontou o fino rabo e aprontou-se para a luta. Não ia entregar o seu espaço sem uma boa briga.
Quando a barulhenta coisa se aproximou, partiu de cá o vira latas com os dentes à mostra, os latidos anunciando sua presença e avisando que o terreno era seu.
Corre desesperado e ameaçador ao lado do monstro invasor, querendo lhe assestar dentadas e mostrar quem manda no pedaço. Expulsá-lo das suas posses para retornar ao seu descanso.
Nesta disposição, corre uns cem metros ao lado do monstro, ameaçando-lhe a vida, no seu sentir, através da promessa de destroçá-lo com suas presas à mostra.
De repente, sabe Deus lá por que razão, o monstro barulhento e sua nuvem de poeira, páram.
O ruido ensurdecedor que vinha das entranhas do monstro, silencia, assim como os gritos que vinha dando anunciando a sua ameaçadora presença desde que fez a curva da estrada, há algumas centenas de metros atrás.
Silêncio!
A poeira assenta, e o motorista do automóvel aproveita a parada para consultar o seu mapa e conferir a sua localização.
Para também o vira latas, de chofre, sem saber o que fazer diante daquela inesperada situação.
Olha pros lados, cheira os pneus do carro, dá meia volta e sai meio batido pelo medo e pela insegurança, sem saber como classificar a sua aventura.
Vitória sobre o inimigo? sorte de estar vivo? mêdo da situação?
Bom, como bom vira latas, isto já não é mais da sua conta. Insistir matutando sobre o assunto, só lhe trará dor de cabeça e fome.
Melhor voltar pra debaixo da árvore, e curtir a tarde, o descanso e as moscas... e assim o fez.
BRASIL, DEZEMBRO DE 2010.
Que diabos tem a haver, o Brasil e os vira latas? qual a ligação entre o Brasil , seus brasileiros, e este pobre animal, usado como preâmbulo desta despretensiosa crônica de final de semana, após quinze dias de ausência escrita?
Há quinze dias nada escrevo por aqui, não que não exista assunto, pois assuntos existem, sempre, dos mais diversos matizes.
Difícil mesmo é escolher apenas um, e dar-lhe certa prioridade frente aos outros.
Depois de muito matutar, escolhi o da guerra civil vivida no Rio de Janeiro, com seus lances Hollywoodianos, tomada de morros pela polícia e preparativos para as UPP´s (Unidades de Polícia Pacificadora) e a seqüencia da vida daqueles que ainda permanecem por lá.
Me ocorreu a idéia dos vira latas. Em primeiro, pela assertiva de que, racialmente, brasileiros e vira latas tem muito em comum: os brasileiros, na sua grande maioria, são, como chamam os veterinários aos vira latas, "sem raça definida", os famosos "SRD´s" habitantes da nossas ruas; Em segundo, pela descrita atitude dos vira latas, quando enfrentam os perigos e os "acuam". O que fazer?
O rio de Janeiro vive a situação de haverem "acuado" o crime organizado, desmantelado o seu poderio, quebrado a sua espinha econômica e subido ao morro para ficar.
Será?
Nesta pós tomada dos morros, desceram os bandidos para o asfalto - pois sabem que a polícia não tem poderio de homens e de fogo para manter-se nos dois lugares ao mesmo tempo.
De outra feita, as fronteira pelas quais passam armas e drogas, ainda permanecem abertas - pois não existe contingente suficiente de Policiais Federais e de Exército para tapar todos os "buracos" existentes nas fronteiras.
Ademais, ainda padecemos da falta de VONTADE POLÍTICA para que tal vedação necessária ao controle do crime venha a ocorrer. As FARC, ao norte, "amigos" do molusco governamental, o o paraguai (com minúsculas, é o correto...) ao sudoeste, com a sua confusa política em torno da Itaipú "Binacional" (apesar de havermos construido ELA TODA com o nosso dinheiro), e que sempre foi e dá mostras que será por muito tempo, uma fronteira permissiva e sem lei.
Nesta conjuntura, só me vem à cabeça a situação do nosso irmão vira latas: o "monstro" parou. O cão, parou, olhou, e não sabe o que fazer.
E assim, pelo menos por enquanto, concluímos esta pequena história.
Você tem alguma conclusão alternativa?
Um abraço, e uma boa semana!
Nenhuma preocupação maior tem o nobre animal - apesar da designação racial que lhe rotularam - a não ser matar a fome com o que acha. e mostrar serviço através da valentia natural que detém.
Não foi construído para pensar, para ser treinado ou para tomar grandes decisões. Age de forma automática e instintiva, pois na sua simplicidade mental, mais do que isso é motivo de dor de cabeça.
De repente, um barulho interrompe seu exercício mental preferido: abanar as moscas.
Ao longe, ultrapassando a curva da estrada e vindo em sua direção, envolto em poeira fumaça e barulho, disparava um monstro, provido de quatro patas escuras e rodopiantes, emitindo gritos estridentes e assustando outros animais por onde passava. Vinha na sua direção aquela ameaça sem nome.
Se pôs de pé, apontou o fino rabo e aprontou-se para a luta. Não ia entregar o seu espaço sem uma boa briga.
Quando a barulhenta coisa se aproximou, partiu de cá o vira latas com os dentes à mostra, os latidos anunciando sua presença e avisando que o terreno era seu.
Corre desesperado e ameaçador ao lado do monstro invasor, querendo lhe assestar dentadas e mostrar quem manda no pedaço. Expulsá-lo das suas posses para retornar ao seu descanso.
Nesta disposição, corre uns cem metros ao lado do monstro, ameaçando-lhe a vida, no seu sentir, através da promessa de destroçá-lo com suas presas à mostra.
De repente, sabe Deus lá por que razão, o monstro barulhento e sua nuvem de poeira, páram.
O ruido ensurdecedor que vinha das entranhas do monstro, silencia, assim como os gritos que vinha dando anunciando a sua ameaçadora presença desde que fez a curva da estrada, há algumas centenas de metros atrás.
Silêncio!
A poeira assenta, e o motorista do automóvel aproveita a parada para consultar o seu mapa e conferir a sua localização.
Para também o vira latas, de chofre, sem saber o que fazer diante daquela inesperada situação.
Olha pros lados, cheira os pneus do carro, dá meia volta e sai meio batido pelo medo e pela insegurança, sem saber como classificar a sua aventura.
Vitória sobre o inimigo? sorte de estar vivo? mêdo da situação?
Bom, como bom vira latas, isto já não é mais da sua conta. Insistir matutando sobre o assunto, só lhe trará dor de cabeça e fome.
Melhor voltar pra debaixo da árvore, e curtir a tarde, o descanso e as moscas... e assim o fez.
BRASIL, DEZEMBRO DE 2010.
Que diabos tem a haver, o Brasil e os vira latas? qual a ligação entre o Brasil , seus brasileiros, e este pobre animal, usado como preâmbulo desta despretensiosa crônica de final de semana, após quinze dias de ausência escrita?
Há quinze dias nada escrevo por aqui, não que não exista assunto, pois assuntos existem, sempre, dos mais diversos matizes.
Difícil mesmo é escolher apenas um, e dar-lhe certa prioridade frente aos outros.
Depois de muito matutar, escolhi o da guerra civil vivida no Rio de Janeiro, com seus lances Hollywoodianos, tomada de morros pela polícia e preparativos para as UPP´s (Unidades de Polícia Pacificadora) e a seqüencia da vida daqueles que ainda permanecem por lá.
Me ocorreu a idéia dos vira latas. Em primeiro, pela assertiva de que, racialmente, brasileiros e vira latas tem muito em comum: os brasileiros, na sua grande maioria, são, como chamam os veterinários aos vira latas, "sem raça definida", os famosos "SRD´s" habitantes da nossas ruas; Em segundo, pela descrita atitude dos vira latas, quando enfrentam os perigos e os "acuam". O que fazer?
O rio de Janeiro vive a situação de haverem "acuado" o crime organizado, desmantelado o seu poderio, quebrado a sua espinha econômica e subido ao morro para ficar.
Será?
Nesta pós tomada dos morros, desceram os bandidos para o asfalto - pois sabem que a polícia não tem poderio de homens e de fogo para manter-se nos dois lugares ao mesmo tempo.
De outra feita, as fronteira pelas quais passam armas e drogas, ainda permanecem abertas - pois não existe contingente suficiente de Policiais Federais e de Exército para tapar todos os "buracos" existentes nas fronteiras.
Ademais, ainda padecemos da falta de VONTADE POLÍTICA para que tal vedação necessária ao controle do crime venha a ocorrer. As FARC, ao norte, "amigos" do molusco governamental, o o paraguai (com minúsculas, é o correto...) ao sudoeste, com a sua confusa política em torno da Itaipú "Binacional" (apesar de havermos construido ELA TODA com o nosso dinheiro), e que sempre foi e dá mostras que será por muito tempo, uma fronteira permissiva e sem lei.
Nesta conjuntura, só me vem à cabeça a situação do nosso irmão vira latas: o "monstro" parou. O cão, parou, olhou, e não sabe o que fazer.
E assim, pelo menos por enquanto, concluímos esta pequena história.
Você tem alguma conclusão alternativa?
Um abraço, e uma boa semana!
A "VITÓRIA"
A ORIGEM....











